O que mais me chamou a atenção no Salão do Automóvel de Pequim não foi um carro. Foi a mudança na pergunta que o consumidor começa a fazer.
Durante décadas, especialmente no Brasil, comprar um carro significou pensar em patrimônio e valor de revenda. Mas, quando o veículo passa a reunir inteligência artificial, direção assistida, sistema operacional, aplicativos e atualizações, ele começa a ser avaliado como tecnologia: o que faz por mim? Como se conecta à minha vida? Continuará melhorando depois da compra?
A consequência é incômoda: um carro pode permanecer mecanicamente impecável e, ainda assim, envelhecer rapidamente no software, nos sensores e na experiência.
É aí que o automóvel vive seu “momento iPhone”: deixa de ser apenas um bem e passa a funcionar como plataforma. Uma transformação capaz de mudar a compra, a assinatura, a revenda e a relação com as marcas.